sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Uma parada Budista

Minha curiosidade sobre o Datsan Budista Ivolginsk era enorme, desde que descobri que neste mosteiro Budista existe um Monge em posição de Lotus (meditação) a mais de 80 anos, sim oitenta anos. A parada em Ulan-Ude à princípio e como vocês viram no post anterior não havia grande atrativos para mais do que uma tarde. Mas a visita a este templo budista nos fez esticar a parada, e posso afirmar valeu muito a pena.
Para visitar o Datsan decidimos contratar um guia para evitar surpresas, já que às 14:52 embarcaríamos para continuar nossa viagem rumo ao leste com a Transiberiana. Marcamos para o guia nos buscar no Ulan Hotel cedo, nosso guia foi o Denis o proprietário do Ulan Hostel, um genuíno Buriata, que deixou tudo mais interessante. Apesar de não ter visitado o Ulan Hostel, somente pela simpatia do Denis recomendo a hospedagem. www.uuhostel.com
O plano era fazer o tour de 5 horas até o Mosteiro Budista, o pessoal do Ulan Hostel tem este tour pronto e recomendamos:


O mosteiro está localizado à 25Km do centro de Ulan Ude, num trajeto super agradável, onde pudemos apreciar a paisagem e fazer algumas perguntas para o Denis sobre a região, como era vida dos povos buriatas e mongóis.


Os Datsan são mosteiros Tibetanos existentes nas regiões da Buriátia (Rússia) desde os séculos XVII. Durante o início da revolução Comunista todos foram proibidos e alguns até destruídos. Em 1941 o Datsan Ivolginsk recebeu autorização do Stalin para reabertura, o que causou várias lendas sobre este lugar, e até a sugestão de que Stalin era simpatizante e praticante do Budismo.

Chegamos cedo e fomos dar uma volta nesta pequena cidade Budista no meio da Rússia. Admito que meus conhecimentos sobre o Budismo são mínimos e o guia foi muito importante para não praticar nenhuma gafe.  


Respeito aos cultos e crenças religiosas de outros povos e religiões é um fator importante no sucesso das viagens, pequenas gafes nesta hora podem causar uma grande confusão.
Entrada principal do Datsan

Os templo e a pequena vila são totalmente murados com cercas de madeiras, entramos pelo portão principal e fomos dar a volta pelo Datsan sempre da direita para esquerda. Pelo caminho existem as rodas de orações, que devemos girar com a palma da mão, algo como um mantra. Também pela tradição budista deve-se espalhar grãos e ou deixar moedas pelo caminho.  
Barraca Mongol no meio do Mosteiro
As primeiras construções que avistamos foram as casas dos alunos e mestres, algumas destas construções de madeira ainda não possuem energia elétrica, e o aquecimento é todo feito com lenha, lembro que a temperatura facilmente nesta região chega aos -20ºC.
Andes de começarmos a chegar nos templos, fomos orientados que cada templo possui uma função e  simbologia. Em muitos cultos, mantras e orações estavam sendo praticados, em alguns gatos e cachorros circulavam livremente, numa total harmonia com as orações dos monges. 



Infelizmente e por respeito não é permitido fotografar os cultos e o interior dos templos. Imaginem que se por fora este templos possuíam uma cor maravilhosa, por dentro então,  eram deslumbrantes.
 


Num dos templos tivemos a sorte de participar da benção da saúde e alimentos, onde após vários mantras, sininhos, fomos agraciados com uma pequena oferenda para nos alimentarmos e agradecer ao Buda. Ao final circulamos pelo templo, sem ficar de costa ao Buda em direção ao Monge para que ele com sua caixinha de orações nos abençoasse. Passou uma energia boa e tranquilizadora, uma vibração positiva, muito bom participar deste ritual.


 
Como não poderia faltar por todos os pilares e arvores as bandeiras de orações ao ventos, muito  tradicionais dos Budistas.  As bandeiras de orações geralmente estão em 5 cores, cada cor possui um significado: AZUL (espaço,céu), BRANCO (ar, nuvens), VERMELHO (fogo), VERDE (água, natureza) e o AMARELO (terra), representando a boa sorte, a energia da vida e a iniciativa de que as coisas dêem certo.
Alguns dos edifícios do Datsan são utilizados para a formação e estudo dos novos monges. Muitos chineses vêem estudar e praticar o Budismo nesta região, pois o acesso é mais fácil, já que não podem entrar no Tibete.




Enfim, chegamos ao templo onde o Monge Dashi-Dorzho Itigelov está em posição Lotus, como se estivesse meditando desde 1927, e não entrou em estado de decomposição. Durante o período Comunista, os budistas esconderam ele em cavernas, para que os soviéticos não o destruíssem, e  sempre que o desenterravam ele permanecia intacto, causando este grande enigma.  O guia nos orientou para tentarmos visitar a Santidade, então fomos para a fila, havia na fila famílias de chineses e mongóis, quando finalmente chegou a nossa vez, um monge nos barrou por sermos turistas e não Budistas e não conseguimos entrar. Uma pena, mas tentamos, sabíamos do risco e da grande possibilidade de não entrarmos. A visita ao monge é liberada para a população não budista raramente.
Mais informações sugiro acessar:
www.sacred-destinations.com/russia/ivolginsky-datsan-buddhist-temple.htm 



Como não poderia faltar,  semelhante em todos os templos religiosos, as barracas ou lojinhas de souvenir e santinhos é condição sine qua non  em todo lugar do mundo. Acredito ser raro a religião onde a venda deste "Ídolos" não seja praticada. Aproveitei e comprei meu Buda da fertilidade, para ver se a família aumenta lá em casa :)
 

Próximo ao meio dia, já com a nossa visita ao Datsan encerrada, começamos nosso retorno para Ulan Ude,  solicitamos ao Denis que nos levasse a um restaurante de comida típica Buriata. Ele perguntou se havia problema com o local ser simples, mas a comida era a verdadeira servida pelo povos que habitavam a região por séculos.
Era um restaurante rústico, simples e limpo, mas nada assustador.  Várias mesas de madeira trabalhada e pintadas, numa grande construção típica de madeira da Sibéria. Nas paredes peles e caças espalhadas. Alguns desenhos mostravam os guerreiros e caçadores.


Foram servidos dois pratos, de entrada uma sopa de carne de carneiro, com massas típicas e um tempero bem suave. A massa em pedaços grandes e grosseiros de consistência um pouco mais dura, não sei do que ela era feita, mas era boa. Os grandes pedaços de carneiro estavam macios e saborosos.
Como em todos os povos do Oriente, os Dim Sum ou Dumplings- os bolinhos à vapor dos Buriatas recheados com carne assadas e temperadas no interior. A diferença segundo eles era que estes retinham mais líquidos quentes no interior, especialmente para o inverno nesta região da Sibéria. Estavam deliciosos

Infelizmente o Airag bebida típica da região estava em falta. É uma bebida de leite fermentado com baixa graduação alcoólica e efervescente, que com o calor é de difícil conservação. 



Após o rápido almoço, às 13:30 estávamos em Ulan-Ude e Denis sugeriu que subíssemos ao topo da cidade para conhecer o outro Templo Budista o Rinpoche Bagsha.  Este templo uma dissidência dos Tibetanos, são mais recentes na região, fundado em 2000, ainda com vários prédios em construção.

Rimpoche-BagshaAntes de entrarmos no templo, seguimos o ritual de  circularmos o templo completamente da direita para a esquerda, além tocarmos o sino e rodarmos as rodas.
 
Ao entramos neste templo Budista moderno   tivemos um choque de budismos, este com uma energia mais estéril, algo mais moderno. É diferente sentir em tão pouco tempo as diferentes vertentes desta religião.

O Rimpoche é nitidamente mais frequentado pela população da região, principalmente pela localização.

A localização é belíssima, com uma linda vista panorâmica para apreciar a cidade de cima.

Dados do budismo na Rússia

1  O budismo é, por tradição, a principal religião nas repúblicas da Buriátia, Kalmíkia, Tuva e Altai, no território de Zabaikálski e na província de Irkutsk (todas na Sibéria, exceto a Kalmíkia). Sua filosofia foi introduzida na Rússia no século 17. Em 1764, foi aceita como umas das religiões oficiais do país.

Hoje, existem aproximadamente 1,4 milhão de budistas na Rússia, de acordo com o censo mais recente. Eles representam 1% da população do país.

3  Em 1979, o Dalai Lama fez sua primeira visita à União Soviética. A partir de 1994, ele foi recebido com entusiasmo em visitas às três repúblicas budistas da Rússia. Entretanto, com o estreitamento das relações comerciais entre Moscou e China, a Rússia passou a impedir a entrada do líder no país desde 2004 por meio da recusa de pedidos de visto.
fonte: http://gazetarussa.com.br/articles/2011/11/23/budismo_renasce_em_antigo_reduto_12816.html 
Esta visita aos templos Budistas foi um grande aprendizado e altamente energética. A sensação de tranquilidade que os Budistas passam, apesar de desconhecermos seus mantras, transmite positividade e muita paz.

Às 14:52 embarcamos no trem rumo a Khabarovsk, e seguir 50 horas de viagem, no maior trecho dentro do trem Transiberiano.

A aventura continua ...
 
Sabiam que no Brasil em Três Coroas , perto de Gramado no Rio Grande do Sul existe um grande templo Budista? A Silvia do Matraqueando mostra tudo:
www.matraqueando.com.br/templobudistadetrescoroasotibetemoraaqui

4 comentários:

  1. Adorei este post! As fotos estão lindas.
    Parabéns!

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    1. Oi Carina, é um lugar iluminado, de energia muito boa.

      Valeu pela audiência qualificada :)

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  2. Gustavo,
    A série está sensacional. Como é bom conhecer outras culturas, descobrir coisas, ainda mais num lugar especial como este. E a minha wishlist de viagens só aumenta!

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    1. Muito obrigado Celinha ou Regina, não sei como agora kkk
      Somos uma formiguinha neste mundo enorme, vai faltar tempo e $$$ para completar as Wishlist.

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